Tudo sobre vertigens
A vertigem — a sensação de que o mundo está a rodar ou que estamos a perder o equilíbrio — é uma queixa extremamente comum que afeta até 30% da população em algum momento da vida.
Em Portugal, é uma das principais razões de consulta de urgência, especialmente em idosos. Embora frequentemente assustadora, a maioria das causas de vertigem é benigna e tratável.
Causas mais comuns
- Vertigem posicional paroxística benigna (VPPB) — a causa mais frequente (30-40% dos casos). Episódios breves de vertigem intensa provocados por mudanças de posição da cabeça, causados por cristais de carbonato de cálcio deslocados nos canais semicirculares do ouvido interno
- Doença de Ménière — crises de vertigem rotatória (20 minutos a várias horas), perda auditiva flutuante, zumbido e sensação de plenitude no ouvido
- Neurite vestibular — vertigem intensa e contínua durante dias, provavelmente de causa viral, com recuperação gradual ao longo de semanas
- Enxaqueca vestibular — episódios de vertigem associados a enxaqueca, podendo ocorrer com ou sem cefaleia
Tratamento da VPPB
O tratamento mais eficaz para a VPPB é a manobra de Epley, realizada pelo médico ou fisioterapeuta, que reposiciona os cristais deslocados. É curativa em 80-90% dos casos numa única sessão. Não requer medicação a longo prazo.
Medicação para vertigens
- Betaistina — melhora a microcirculação do ouvido interno. Tratamento de primeira linha para a doença de Ménière, com doses de 24-48 mg duas a três vezes por dia
- Proclorperazina (Stemetil) — antiemético eficaz para crises agudas de vertigem com náuseas
- Cinarizina — anti-histamínico com efeito antivertiginoso, útil em vertigens de origem vascular
Estes medicamentos devem ser usados para alívio sintomático e não como tratamento prolongado (exceto a betaistina na doença de Ménière), pois podem atrasar a compensação vestibular natural.
Reabilitação vestibular
A fisioterapia vestibular é fundamental para a recuperação após neurite vestibular e para vertigens crónicas. Exercícios específicos de habituação e estabilização do olhar ajudam o cérebro a compensar o défice vestibular.

