Tudo sobre doença inflamatória intestinal
A doença inflamatória intestinal (DII) engloba duas condições crónicas que causam inflamação no trato digestivo: a doença de Crohn e a colite ulcerosa . Em Portugal, estima-se que cerca de 20.000 pessoas vivam com DII, com a incidência a aumentar nas últimas décadas, especialmente em jovens adultos.
São doenças crónicas que alternam entre períodos de crise (exacerbação) e remissão.
Doença de Crohn vs. Colite Ulcerosa
A doença de Crohn pode afetar qualquer parte do trato digestivo (da boca ao ânus), embora atinja mais frequentemente o íleo terminal e o cólon. A inflamação é transmural (atravessa toda a parede intestinal) e pode causar fístulas e estenoses.
A colite ulcerosa limita-se ao cólon e reto, com inflamação superficial contínua que causa ulceração da mucosa.
Tratamento de manutenção
- Aminossalicilatos (mesalazina/5-ASA) — tratamento de primeira linha para colite ulcerosa ligeira a moderada, em comprimidos, enemas ou supositórios
- Imunomoduladores (azatioprina, metotrexato) — mantêm a remissão em doença moderada, demora 2-3 meses a atingir efeito máximo
- Biológicos (infliximab, adalimumab, vedolizumab, ustecinumab) — para doença moderada a grave refratária a outros tratamentos
Tratamento das crises
Os corticosteroides (prednisolona oral ou budesonida) são usados para controlar crises agudas, mas não devem ser usados como manutenção devido aos efeitos secundários a longo prazo. A budesonida tem ação mais localizada e menos efeitos sistémicos.
Monitorização
A DII requer acompanhamento regular com colonoscopias periódicas, análises sanguíneas (hemograma, proteína C-reativa, calprotectina fecal) e avaliação nutricional. O risco de cancro colorretal está aumentado em doentes com colite ulcerosa de longa duração.


