Ciprofloxacina
Ciprofloxacina é um antibiótico fluoroquinolona de largo espectro, aprovado pelo Infarmed para o tratamento de infeções bacterianas do trato urinário, respiratório, gastrointestinal, ósseo e cutâneo.
Requer prescrição médica. Uso racional para prevenir resistências.
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O que é a Ciprofloxacina
Ciprofloxacina é um antibiótico da classe das fluoroquinolonas de segunda geração, amplamente utilizado em medicina humana e veterinária.
Em Portugal, está disponível em múltiplas formas farmacêuticas, comprimidos (250 mg e 500 mg), solução injetável e colírio, sob marcas comerciais como Ciproxin e numerosos genéricos aprovados pelo Infarmed .
É um dos antibióticos de prescrição mais frequentes no contexto dos Cuidados de Saúde Primários e hospitalar em Portugal, sendo regulamentado pelo Plano de Ação Nacional para a Resistência aos Antimicrobianos (PANARA) da Direção-Geral da Saúde .
A ciprofloxacina apresenta um espectro antibacteriano muito amplo, cobrindo a maioria das bactérias gram-negativas (incluindo Escherichia coli , Klebsiella spp. , Pseudomonas aeruginosa e Salmonella spp.
) e algumas gram-positivas. Esta amplitude de espectro, combinada com uma excelente biodisponibilidade oral (aproximadamente 70-80%) e distribuição tecidular, torna-a útil num vasto conjunto de indicações clínicas.
Contudo, a ciprofloxacina é também um dos antibióticos associados a efeitos secundários graves e pouco conhecidos pela população geral, incluindo tendinite e rotura de tendão, neuropatia periférica e efeitos no sistema nervoso central.
Em 2018, a Agência Europeia de Medicamentos (EMA) e o Infarmed emitiram alertas de segurança restringindo o uso de fluoroquinolonas a indicações onde os benefícios superam claramente os riscos.
Mecanismo de Ação
A ciprofloxacina atua inibindo duas enzimas bacterianas essenciais para a replicação do DNA:
- DNA girase (topoisomerase II): Enzima que alivia a tensão superhelicoidal no DNA bacteriano durante a replicação, a inibição desta enzima bloqueia a replicação bacteriana em gram-negativos.
- Topoisomerase IV: Responsável pela separação dos cromossomas filhos após a replicação, a sua inibição impede a divisão celular, especialmente importante nos gram-positivos.
A inibição destas enzimas resulta em quebras de dupla cadeia do DNA bacteriano, levando à morte celular.
Este mecanismo bactericida (que mata as bactérias, ao invés de apenas inibir o seu crescimento) é uma vantagem nas infeções graves onde se pretende uma erradicação rápida do agente patogénico.
As células humanas utilizam topoisomerases diferentes, não afetadas pela ciprofloxacina em doses terapêuticas normais. Contudo, a ciprofloxacina pode afetar a função mitocondrial, o que pode explicar alguns dos seus efeitos secundários sistémicos.
Indicações Terapêuticas
De acordo com a aprovação do Infarmed e as orientações da DGS, a ciprofloxacina está indicada para:
Infeções do Trato Urinário
- Cistite aguda não complicada em mulheres (com preferência para fosfomicina ou nitrofurantoína como primeira linha)
- Pielonefrite aguda (infeção renal)
- Prostatite aguda bacteriana e prostatite crónica bacteriana
- Infeções urinárias complicadas e recorrentes
Infeções Respiratórias
- Pneumonia adquirida na comunidade (não é primeira linha, reservar para Pseudomonas ou resistências)
- Exacerbações agudas de bronquite crónica em doentes com DPOC grave
- Fibrose quística com exacerbações por Pseudomonas aeruginosa
Infeções Gastrointestinais
- Gastroenterite bacteriana grave por Salmonella, Shigella, Campylobacter
- Diarreia do viajante em casos selecionados
Outras Indicações
- Osteomielite e artrite séptica por gram-negativos
- Infeções da pele e tecidos moles por gram-negativos
- Infeções sexualmente transmissíveis: gonorreia (resistências crescentes limitam este uso)
- Profilaxia de infeções em doentes neutropénicos
- Profilaxia pós-exposição ao Bacillus anthracis (antraz)
Posologia e Modo de Administração
A dose de ciprofloxacina varia de acordo com a indicação clínica, a gravidade da infeção e a função renal do doente:
Adultos, Doses Habituais por Via Oral
- Infeções urinárias não complicadas: 250 mg duas vezes ao dia durante 3 dias (mulheres) ou 500 mg duas vezes ao dia durante 7-10 dias (homens)
- Pielonefrite leve a moderada: 500 mg duas vezes ao dia durante 7-14 dias
- Prostatite aguda: 500 mg duas vezes ao dia durante 14-28 dias
- Infeções respiratórias: 500-750 mg duas vezes ao dia durante 7-14 dias
- Infeções ósseas: 500-750 mg duas vezes ao dia durante 4-8 semanas
Os comprimidos devem ser engolidos inteiros com quantidade suficiente de líquido, preferencialmente com o estômago vazio ou pelo menos 2 horas após uma refeição para maximizar a absorção. No entanto, podem ser tomados com alimentos para reduzir o desconforto gastrointestinal.
Ajuste em Insuficiência Renal
Em doentes com depuração de creatinina inferior a 30 mL/min, a dose máxima diária é de 1000 mg (500 mg duas vezes ao dia). Em diálise, ajuste adicional é necessário.
Contraindicações
- Hipersensibilidade à ciprofloxacina ou a outras quinolonas
- Uso concomitante com tizanidina (risco de hipotensão grave e sedação excessiva)
- Gravidez (especialmente o primeiro trimestre) e aleitamento materno
- Crianças e adolescentes em crescimento (exceto em indicações específicas como fibrose quística, avaliação caso a caso)
- Antecedentes de tendinite ou rotura de tendão relacionada com fluoroquinolonas
- Doentes com prolongamento do intervalo QT ou que tomam medicamentos que prolongam o QT
Precaução especial em doentes com: epilepsia ou baixo limiar convulsivo, antecedentes psiquiátricos, miastenia gravis, deficiência de G6PD.
Efeitos Secundários
Frequentes (1-10%)
- Náuseas, vómitos e diarreia
- Dor abdominal
- Cefaleia e tonturas
- Erupção cutânea
- Alterações das provas hepáticas (transitórias)
Efeitos Secundários Graves, Alertas de Segurança EMA/Infarmed
Em 2018, a EMA emitiu um alerta de segurança importante sobre efeitos adversos graves e potencialmente permanentes das fluoroquinolonas, incluindo a ciprofloxacina:
- Tendinite e rotura do tendão de Aquiles: Pode ocorrer durante o tratamento ou até vários meses após a sua conclusão. O risco é maior em idosos, doentes a tomar corticosteroides e transplantados renais. Suspender imediatamente e contactar o médico se sentir dor, edema ou inflamação num tendão.
- Neuropatia periférica: Sensação de queimadura, formigueiro, dormência nos membros. Pode ser persistente ou permanente.
- Efeitos no sistema nervoso central: Ansiedade, confusão mental, alucinações, perturbações do sono, convulsões, podem ocorrer após a primeira dose.
- Prolongamento do intervalo QT: Risco de arritmias cardíacas graves em doentes suscetíveis.
- Hipoglicemia grave: Especialmente em doentes com diabetes a tomar antidiabéticos orais.
- Colite pseudomembranosa por Clostridioides difficile: Diarreia aquosa, com sangue, e dor abdominal intensa durante ou após o tratamento, contactar o médico ou SNS 24 (808 24 24 24).
Em caso de efeitos adversos graves, contactar o 112 ou o SNS 24 (808 24 24 24).
Interações Medicamentosas
- Antiácidos com alumínio, magnésio ou cálcio; suplementos de ferro e zinco: Reduzem dramaticamente a absorção da ciprofloxacina. Tomar ciprofloxacina pelo menos 2 horas antes ou 4-6 horas após estes produtos.
- Tizanidina (contraindicação absoluta): A ciprofloxacina inibe o CYP1A2, aumentando os níveis de tizanidina e o risco de hipotensão grave e sedação.
- Teofilina e cafeína: A inibição do CYP1A2 aumenta os níveis plasmáticos, risco de toxicidade (náuseas, taquicardia, convulsões).
- Varfarina e outros anticoagulantes: Pode potenciar o efeito anticoagulante, monitorizar o INR mais frequentemente.
- Antidiabéticos orais (glibenclamida, glipizida): Risco de hipoglicemia, monitorizar a glicemia.
- AINE (anti-inflamatórios não esteroides): Pode aumentar o risco de convulsões.
- Medicamentos que prolongam o QT: Amiodarona, sotalol, antipsicóticos, antidepressivos tricíclicos, risco de arritmias.
Populações Especiais
Gravidez
A ciprofloxacina atravessa a barreira placentária e os estudos em animais demonstraram artropatia nas articulações de suporte em animais jovens.
Embora dados em humanos não demonstrem aumento significativo de malformações, a ciprofloxacina é geralmente evitada durante a gravidez , especialmente no primeiro trimestre.
Em situações de infeção grave onde não existem alternativas seguras, o risco-benefício deve ser ponderado pelo médico especialista.
Aleitamento
A ciprofloxacina é excretada no leite materno em concentrações que podem atingir os 40% dos níveis plasmáticos maternos. Não é recomendada durante o aleitamento, suspender temporariamente o aleitamento durante o tratamento ou escolher um antibiótico alternativo.
Crianças e Adolescentes
O uso em crianças e adolescentes é geralmente evitado devido ao risco de artropatia. Exceções: fibrose quística com exacerbações por Pseudomonas, infeções por carbapenemases quando não existem alternativas.
Idosos
Maior risco de tendinite, rotura do tendão de Aquiles e efeitos sobre o sistema nervoso central. A depuração renal reduzida implica ajuste de dose. Monitorização clínica rigorosa.
Resistências Antimicrobianas, Contexto Português
Portugal é um dos países da União Europeia com maiores taxas de resistência bacteriana às fluoroquinolonas.
Segundo dados do ECDC (European Centre for Disease Prevention and Control) , as taxas de resistência de E.
coli às fluoroquinolonas em Portugal ultrapassam os 30%, muito acima da média europeia. Esta realidade reforça a necessidade de:
- Reservar a ciprofloxacina para infeções confirmadas por germes sensíveis
- Realizar antibiograma sempre que possível antes de iniciar o tratamento
- Completar sempre o curso terapêutico prescrito
- Não utilizar antibióticos sobrados de tratamentos anteriores
- Não partilhar antibióticos com outros
Monitorização Médica
- Reavaliação clínica após 48-72 horas de tratamento para confirmar melhoria
- Urinocultura de controlo após conclusão do tratamento nas ITU complicadas e pielonefrite
- Monitorização das provas de função hepática em tratamentos prolongados
- Monitorizar INR em doentes a tomar varfarina
- Monitorização clínica de sintomas musculo-esqueléticos e neurológicos
Armazenamento
Conservar a temperatura inferior a 25°C, em local seco, protegido da luz e fora do alcance das crianças. Não usar após o prazo de validade. Devolver antibióticos não utilizados à farmácia (sistema VALORMED), nunca deitar no lixo doméstico ou sanita.
Alternativas Terapêuticas
Dependendo da indicação clínica, as alternativas à ciprofloxacina incluem:
- Infeções urinárias não complicadas: Fosfomicina (dose única), nitrofurantoína, preferidas como primeira linha pela DGS
- Pielonefrite: Ceftriaxona (IV), amoxicilina-ácido clavulânico (se sensível), cotrimoxazol (se sensível)
- Infeções respiratórias: Amoxicilina, amoxicilina-ácido clavulânico, azitromicina, claritromicina
- Prostatite: Cotrimoxazol (se sensível), doxiciclina
Perguntas Frequentes sobre a Ciprofloxacina
Consulte a secção de perguntas frequentes para as dúvidas mais comuns. Para aconselhamento específico, contacte o seu médico de família ou o SNS 24 (808 24 24 24).
Referências e Fontes
- Infarmed. Resumo das Características do Medicamento, Ciprofloxacina. Lisboa: Infarmed; 2023. Disponível em: infarmed.pt
- Direção-Geral da Saúde. Programa Nacional de Prevenção das Resistências aos Antimicrobianos (PNPRA). Lisboa: DGS; 2019. Disponível em: dgs.pt
- Agência Europeia de Medicamentos. Alerta de segurança sobre fluoroquinolonas. EMA; 2018.
- ECDC. Antimicrobial resistance in the EU/EEA (EARS-Net). Estocolmo: ECDC; 2023.
- Serviço Nacional de Saúde. Uso responsável de antibióticos. SNS 24; 2024. Disponível em: sns24.pt
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