Microgynon 30

O Microgynon 30 é um contraceptivo oral combinado de baixa dosagem contendo levonorgestrel e etinilestradiol, utilizado em Portugal para prevenção da gravidez com elevada eficácia quando tomado correctamente.

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O que é o Microgynon 30?

O Microgynon 30 é um contraceptivo oral combinado (COC) monofásico de baixa dosagem, contendo 150 microgramas de levonorgestrel (progestagénio) e 30 microgramas de etinilestradiol (estrogénio sintético) por comprimido.

É um dos contraceptivos orais mais prescritos em Portugal e no mundo, com décadas de utilização clínica e uma extensa base de dados de segurança e eficácia.

O Microgynon 30 pertence à geração de contraceptivos orais de segunda geração, sendo o levonorgestrel um progestagénio com propriedades androgénicas moderadas, derivado da 19-nortestosterona.

A dose de 30 microgramas de etinilestradiol coloca-o na categoria de contraceptivos de baixa dose de estrogénio, o que contribui para um perfil de efeitos secundários estrogénicos mais favorável comparativamente às formulações mais antigas com 50 microgramas.

Como médica de clínica geral, prescrevo frequentemente o Microgynon 30 como contraceptivo hormonal de primeira linha em mulheres jovens sem contraindicações, pela sua elevada eficácia (índice de Pearl inferior a 1 por cada 100 mulheres-ano com utilização correcta), reversibilidade, previsibilidade do ciclo menstrual e benefícios não contraceptivos demonstrados, como a redução da dismenorreia e do fluxo menstrual.

Em Portugal, o Microgynon 30 é um medicamento sujeito a receita médica.

A primeira prescrição requer uma consulta médica para avaliação de contraindicações, factores de risco cardiovascular e história pessoal e familiar.

As renovações de receita podem ser feitas em consultas de seguimento ou, em certas circunstâncias, através de consulta online com um profissional de saúde autorizado.

Mecanismo de ação

O Microgynon 30 actua por três mecanismos complementares que, em conjunto, proporcionam uma contracepção altamente eficaz.

O mecanismo principal é a inibição da ovulação: a combinação de estrogénio e progestagénio suprime a libertação hipotalâmica de GnRH e, consequentemente, a libertação hipofisária de LH e FSH, impedindo o desenvolvimento folicular e a ovulação.

O segundo mecanismo é a alteração do muco cervical: o progestagénio levonorgestrel torna o muco do colo do útero mais espesso, viscoso e impermeável aos espermatozóides, criando uma barreira física eficaz mesmo nos raros ciclos em que a inibição da ovulação seja incompleta.

O terceiro mecanismo é a alteração do endométrio: as hormonas modificam o revestimento uterino, tornando-o menos receptivo a uma eventual implantação de um ovócito fertilizado.

A supressão da ovulação é o mecanismo mais importante e responsável pela maior parte da eficácia contraceptiva.

Em utilização perfeita (sem esquecimentos, sem interacções medicamentosas), a taxa de falha do Microgynon 30 é inferior a 0,3% por ano.

Em utilização típica (incluindo esquecimentos ocasionais), a taxa de falha é de aproximadamente 7% por ano, salientando a importância do cumprimento rigoroso do esquema posológico.

Indicações terapêuticas

A indicação primária do Microgynon 30 é a contracepção em mulheres em idade fértil. Adicionalmente, o Microgynon 30 e outros contraceptivos orais combinados têm demonstrado benefícios terapêuticos não contraceptivos clinicamente relevantes.

A redução da dismenorreia (cólicas menstruais) é um dos benefícios mais valorizados pelas utilizadoras: os COC reduzem a produção de prostaglandinas endometriais e diminuem significativamente a intensidade das cólicas e o volume do fluxo menstrual.

A regularização do ciclo menstrual é outro benefício importante, especialmente em adolescentes e mulheres com ciclos irregulares.

A redução do risco de cancro do ovário e cancro do endométrio está bem documentada com a utilização prolongada de COC, com uma redução do risco de cerca de 50% para o cancro do ovário após 5 ou mais anos de utilização, persistindo durante décadas após a interrupção.

O Microgynon 30 pode igualmente ser utilizado no tratamento da acne moderada, embora o COC com acetato de ciproterona (Diane 35, não disponível comercialmente em Portugal) tenha uma indicação mais específica para este fim.

Outros benefícios incluem: redução do risco de quistos ováricos funcionais, redução do risco de doença inflamatória pélvica (pela alteração do muco cervical), melhoria dos sintomas de síndrome pré-menstrual e possível redução do risco de cancro colorrectal.

Posologia e modo de administração

O Microgynon 30 vem em embalagens de 21 comprimidos activos.

Toma-se um comprimido por dia durante 21 dias consecutivos, seguido de uma pausa de 7 dias sem comprimidos (ou sem comprimidos activos, dependendo da embalagem).

Durante a pausa de 7 dias ocorre a hemorragia de privação (semelhante à menstruação).

Após os 7 dias de pausa, inicia-se uma nova embalagem, mesmo que a hemorragia ainda não tenha terminado.

Na primeira utilização, deve iniciar-se o Microgynon 30 no primeiro dia do ciclo menstrual (primeiro dia da menstruação) para protecção contraceptiva imediata.

Se iniciado entre o 2.º e 5.º dias do ciclo, deve usar-se método contraceptivo barreira adicional durante os primeiros 7 dias.

Se iniciado após o 5.º dia do ciclo, a contracepção não é imediata e devem usar-se preservativos durante 7 dias.

O comprimido deve ser tomado sempre à mesma hora, preferencialmente ao deitar ou com o pequeno-almoço. A associação a uma rotina diária facilita o cumprimento. O comprimido pode ser tomado com ou sem alimentos.

Em caso de esquecimento de um comprimido (mais de 24 horas após o momento habitual de toma): tomar o comprimido esquecido assim que possível, mesmo que signifique tomar dois comprimidos no mesmo dia.

Se o esquecimento foi de um comprimido na primeira semana, usar método barreira adicional durante 7 dias.

Se foram esquecidos dois ou mais comprimidos consecutivos, contactar o médico ou farmacêutico para orientação.

Contraindicações

As contraindicações absolutas do Microgynon 30 (e de todos os COC) são as situações em que os riscos superam claramente os benefícios.

Incluem: trombose venosa profunda ou embolia pulmonar actuais ou passadas, trombofilia hereditária (factor V de Leiden, deficiência de proteína C, proteína S ou antitrombina), acidente vascular cerebral isquémico ou hemorrágico, cardiopatia isquémica ou valvulopatia complicada, enxaqueca com aura (contraindicação absoluta pelo aumento do risco de AVC), hipertensão arterial grave não controlada (pressão sistólica superior a 160 mmHg ou diastólica superior a 100 mmHg), diabetes mellitus com complicações vasculares (nefropatia, retinopatia, neuropatia), cancro da mama actual ou história de cancro da mama (receptor hormonal positivo), carcinoma do colo do útero ou do endométrio, insuficiência hepática grave ou tumor hepático (benigno ou maligno), e gravidez ou suspeita de gravidez.

Contraindicações relativas (utilizar com precaução e monitorização): tabagismo em mulheres com 35 ou mais anos (contra indicação relativa que se torna absoluta acima dos 35 anos com tabagismo intenso), enxaqueca sem aura em mulheres com outros factores de risco cardiovascular, hipertensão arterial controlada, história familiar de tromboembolismo venoso, imobilização prolongada, obesidade marcada (IMC superior a 35 kg/m2) e dislipidémia.

Efeitos secundários

Os efeitos secundários mais frequentes com o início do Microgynon 30 são geralmente temporários e tendem a melhorar após os primeiros 3 meses de utilização: náuseas (especialmente quando tomado de manhã em jejum, recomenda-se tomar ao deitar), tensão mamária, cefaleia e spotting intermenstrual (pequenas perdas de sangue entre menstruações), especialmente nos primeiros ciclos.

Alterações do humor e da libido são referidas por algumas utilizadoras, embora o impacto seja muito variável.

Estudos recentes sugeriram uma associação entre o uso de COC e um ligeiro aumento do risco de depressão, particularmente em adolescentes, embora a relação causal seja debatida.

Em mulheres com história prévia de depressão, monitorização mais atenta é recomendada.

O efeito secundário mais grave e clinicamente importante é o aumento do risco de tromboembolismo venoso (TEV).

O risco absoluto de TEV em mulheres jovens saudáveis sem COC é de aproximadamente 2 por 10.000 mulheres-ano; com o Microgynon 30 (levonorgestrel), este risco aumenta para cerca de 5 a 7 por 10.000 mulheres-ano.

Por comparação, durante a gravidez o risco é de 29 por 10.000 e no pós-parto de 300 a 400 por 10.000.

O risco de TEV é maior com progestagénios de terceira e quarta geração (desogestrel, gestodeno, drospirenona) do que com o levonorgestrel do Microgynon 30, o que é um argumento a favor desta formulação em termos de segurança trombótica.

Sinais de alarme que requerem avaliação médica urgente: dor intensa na perna com ou sem inchaço (possível TVP), dificuldade respiratória ou dor no peito (possível embolia pulmonar), cefaleia intensa e súbita, perturbações visuais ou neurológicas (possível AVC).

Em caso de qualquer um destes sintomas, recorra imediatamente ao serviço de urgência ou ligue 112.

Interações medicamentosas

Vários medicamentos podem reduzir a eficácia contraceptiva do Microgynon 30 por induzirem as enzimas hepáticas CYP3A4, aumentando o metabolismo do etinilestradiol e do levonorgestrel.

Os indutores enzimáticos mais importantes clinicamente são: rifampicina (interacção grave), fenitoína, carbamazepina, fenobarbital, primidona, topiramato, oxcarbazepina, griseofulvina e a erva de São João (Hypericum perforatum), disponível em suplementos nas farmácias portuguesas.

Mulheres que necessitem de tratamento com estes medicamentos devem ser aconselhadas a usar um método contraceptivo alternativo não hormonal (dispositivo intrauterino de cobre, preservativo) ou um COC de dose mais elevada, e devem continuar a usar método barreira durante 28 dias após a interrupção do indutor enzimático.

Os antirretrovirais utilizados no tratamento da infecção VIH têm interacções complexas com os COC. Mulheres VIH positivas devem discutir com o seu médico o contraceptivo mais adequado.

Alguns antibióticos (ampicilina, tetraciclinas) foram historicamente associados a redução da eficácia dos COC pela alteração da flora intestinal, mas as evidências actuais não suportam uma interacção clinicamente significativa para antibióticos de curta duração.

O Microgynon 30 pode interferir com certos parâmetros laboratoriais, aumentando os factores de coagulação e reduzindo os níveis de proteína S, o que deve ser tido em conta na interpretação de análises em mulheres a fazer COC.

Populações especiais

Adolescentes: O Microgynon 30 pode ser utilizado a partir da menarca. Em adolescentes, a eficácia depende significativamente da adesão ao tratamento.

O risco de depressão e alterações do humor pode ser mais pronunciado nesta faixa etária.

A prescrição deve incluir aconselhamento sobre o uso correcto e a importância da protecção contra infecções sexualmente transmissíveis (os COC não protegem contra IST).

Perimenopáusicas: Os COC podem continuar a ser utilizados até aos 50 a 51 anos em mulheres sem contraindicações, proporcionando contracepção e alívio de sintomas perimenopáusicos. Após os 35 anos, o equilíbrio risco-benefício deve ser reavaliado, especialmente em fumadoras.

Pós-parto: O Microgynon 30 não deve ser iniciado nas primeiras 6 semanas pós-parto em mulheres a amamentar (pelo efeito supressor na produção de leite e pelo risco de exposição do recém-nascido ao estrogénio) e nas primeiras 3 semanas em mulheres não a amamentar (pelo elevado risco de tromboembolismo no pós-parto imediato).

Mulheres com enxaqueca: Enxaqueca com aura é uma contraindicação absoluta ao uso de COC contendo estrogénio, pelo aumento do risco de AVC isquémico.

Enxaqueca sem aura é uma contraindicação relativa que requer avaliação individualizada. Nestas doentes, os contraceptivos apenas de progestagénio (como a desogestrel ) são preferíveis.

Monitorização médica

Antes de iniciar o Microgynon 30, deve realizar-se: anamnese detalhada (história pessoal e familiar de tromboembolismo, doença cardiovascular, cancro da mama, enxaqueca), medição da pressão arterial, e rastreio do colo do útero actualizado.

Não é necessária avaliação ginecológica ou análises laboratoriais de rotina para iniciar um COC em mulheres jovens saudáveis, embora seja boa prática.

Após o início, recomenda-se uma consulta de seguimento ao fim de 3 meses para avaliar tolerabilidade, pressão arterial e eventuais preocupações da doente.

Subsequentemente, controlos anuais com medição da pressão arterial são adequados em mulheres sem factores de risco. Rastreio do colo do útero conforme programa nacional de rastreio oncológico.

Armazenamento

O Microgynon 30 deve ser conservado a temperatura inferior a 25 graus Celsius, num local seco e ao abrigo da luz directa.

Manter a embalagem fechada e fora do alcance das crianças. Não utilizar após o prazo de validade indicado na embalagem.

Não deitar os comprimidos para o lixo doméstico nem para as águas residuais, devolver à farmácia.

Alternativas terapêuticas

Para mulheres com contraindicações ao estrogénio (fumadoras com mais de 35 anos, enxaqueca com aura, risco tromboembólico elevado, amamentação), os contraceptivos apenas de progestagénio são a alternativa hormonal: a pílula de desogestrel 75 microgramas (Cerazette e genéricos), o implante de etonogestrel (Implanon/Nexplanon), o sistema intrauterino libertador de levonorgestrel (Mirena, Kyleena) ou a injecção de acetato de medroxiprogesterona (Depo-Provera).

Para mulheres que preferem métodos não hormonais: o dispositivo intrauterino de cobre (DIU de cobre) é altamente eficaz (>99%), reversível e sem efeitos hormonais sistémicos.

Os preservativos masculinos são o único método com eficácia comprovada na prevenção de IST.

A laqueação tubária e a vasectomia são opções definitivas para quem não deseja ter mais filhos.

Outros COC com diferentes perfis de progestagénio incluem: Yasmin (drospirenona 3 mg + etinilestradiol 30 mcg) com propriedades antimineralocorticóides, Qlaira (estradiol valerato + dienogest) com estrogénio natural, e Evra (sistema transdérmico com norelgestromina + etinilestradiol) para mulheres com intolerância gastrointestinal.

Consulte o SNS 24 (808 24 24 24) para mais informações sobre opções contraceptivas.

Referências e fontes

1. Infarmed. Resumo das Características do Medicamento, Microgynon 30. Disponível em: infarmed.pt.

2. Direção-Geral da Saúde. Orientações clínicas sobre contracepção. Disponível em: dgs.pt.

3. Faculty of Sexual & Reproductive Healthcare (FSRH). Combined Hormonal Contraception. Clinical Guideline. 2019 (updated 2023).

4. World Health Organization. Medical Eligibility Criteria for Contraceptive Use. 5th edition. 2015.

5. SNS 24: 808 24 24 24. Em caso de emergência ligue 112.

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Cerazette Cerazette (desogestrel 75 mcg) é uma minipílula contracetiva de progestagénio puro, aprovada pelo Infarmed para prevenção da gravidez.

Adequada para mulheres que não pode Femoston Femoston é uma terapia hormonal de substituição (THS) combinada sequencial que contém estradiol e didrogesterona, indicada para o alívio dos sintomas da menopausa e preve Lenzetto Lenzetto (estradiol spray transdérmico) é um tratamento hormonal de substituição utilizado para aliviar os sintomas da menopausa em mulheres.

Disponível em spray transdér Livial Livial (tibolona) é um medicamento de terapêutica hormonal de substituição com actividade estrogénica, progestagénica e androgénica combinada, utilizado para alívio dos s Primolut N O Primolut N contém noretisterona, um progestagénio sintético utilizado para tratar distúrbios menstruais como a menorragia, a dismenorreia, o síndrome pré-menstrual e a Vagifem Vagifem (estradiol 10 microgramas) e um comprimido vaginal de terapeutica hormonal local indicado para o alívio dos sintomas da atrofia vulvovaginal associada a menopausa Yasmin Yasmin e um contraceptivo oral combinado que contem etinilestradiol (0,03 mg) e drospirenona (3 mg).

Alem da contracepcao altamente eficaz, a drospirenona tem propriedade Zumenon Zumenon e um medicamento de terapia de reposicao hormonal (TRH) que contem estradiol hemi-hidrato (1 mg ou 2 mg por comprimido).

E indicado para alivio dos sintomas vasom

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