Propranolol
O propranolol é um bloqueador beta não seletivo utilizado para tratar hipertensão arterial, angina de peito, arritmias cardíacas, enxaqueca, tremor essencial e ansiedade situacional.
É um dos medicamentos cardiovasculares com maior tradição clínica, com mais de 60 anos de uso em medicina.
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Propranolol, Guia Médico Completo
O propranolol foi o primeiro bloqueador beta a ser introduzido na prática clínica, em 1964, pelo farmacologista Sir James Black, que recebeu o Prémio Nobel de Medicina em 1988 por esta descoberta.
Mais de seis décadas depois, o propranolol continua a ser um medicamento de primeira linha em várias indicações cardiovasculares e não cardiovasculares, confirmando a relevância e a profundidade do seu perfil farmacológico.
Na minha prática clínica, é um fármaco que prescrevo regularmente e cujos mecanismos de ação preciso de explicar com rigor aos doentes, dado o seu impacto sistémico significativo.
O que é o propranolol?
O propranolol é um bloqueador dos recetores beta-adrenérgicos não seletivo, ou seja, bloqueia tanto os recetores beta-1 (predominantes no coração) como os recetores beta-2 (predominantes no pulmão, vasos sanguíneos e músculo liso).
Esta não seletividade é clinicamente relevante, pois explica tanto a sua eficácia em múltiplas indicações como alguns dos seus efeitos secundários mais importantes (em particular a broncoconstrição).
Em Portugal, o propranolol está disponível sob várias marcas e como genérico, em comprimidos de 10 mg, 40 mg e 80 mg.
Existe também a formulação de libertação prolongada (propranolol LP 80 mg e 160 mg) para toma única diária nas indicações crónicas.
O propranolol está aprovado pelo INFARMED e é um medicamento sujeito a receita médica.
Mecanismo de ação
O propranolol exerce os seus efeitos através do bloqueio competitivo e reversível dos recetores beta-adrenérgicos. O bloqueio dos recetores beta-1 cardíacos produz:
- Cronotrópia negativa: redução da frequência cardíaca (bradicardia). Essencial para o tratamento de taquiarritmias.
- Inotropia negativa: redução da força de contração do miocárdio, diminuindo o consumo de oxigénio, fundamental na angina de peito.
- Dromotrópia negativa: abrandamento da condução auriculoventricular, útil no controlo da frequência cardíaca na fibrilhação auricular.
- Redução da tensão arterial: por combinação de redução do débito cardíaco, inibição da libertação de renina pelo rim (via bloqueio de recetores beta-1 renais) e efeito central sobre o centro vasomotor.
O bloqueio dos recetores beta-2 é responsável por efeitos como a broncoconstrição (relevante nos asmáticos), vasoconstrição periférica (pode causar extremidades frias), inibição da glicogenólise (pode mascarar a hipoglicemia) e redução do tremor essencial (mecanismo periférico).
O propranolol também tem propriedades de estabilização de membrana (efeito semelhante à quinidina) e penetra facilmente a barreira hematoencefálica, o que explica os seus efeitos no sistema nervoso central (sedação, pesadelos, profilaxia da enxaqueca).
Indicações terapêuticas
O propranolol tem um espectro de indicações inusualmente amplo para um medicamento cardiovascular:
- Hipertensão arterial: como monoterapia ou em combinação com outros anti-hipertensores.
- Angina de peito estável: redução da frequência e gravidade das crises anginosas.
- Enfarte agudo do miocárdio: redução da mortalidade no período peri-infarto e prevenção secundária.
- Arritmias cardíacas: taquiarritmias supraventriculares (fibrilhação auricular, flutter auricular, taquicardia supraventricular paroxística), arritmias ventriculares.
- Insuficiência cardíaca: em formulação específica e com titulação cuidadosa (carvedilol e bisoprolol são geralmente preferidos atualmente, mas o propranolol tem uso histórico).
- Profilaxia da enxaqueca: redução da frequência e intensidade dos episódios de enxaqueca.
- Tremor essencial: redução do tremor postural e de ação das mãos.
- Ansiedade situacional (performance anxiety): controlo dos sintomas somáticos da ansiedade (palpitações, tremor, sudação) antes de situações stressantes como exames ou apresentações públicas.
- Hipertiroidismo e crise tirotóxica: controlo dos sintomas adrenérgicos (taquicardia, tremor, agitação) enquanto se aguarda o efeito das tionamidas ou como preparação para tiroidectomia.
- Feocromocitoma: controlo da taquicardia, em associação obrigatória com bloqueador alfa (para evitar crise hipertensiva paradoxal).
- Cardiomiopatia hipertrófica obstrutiva: alívio sintomático.
- Hemangioma infantil: o propranolol oral é atualmente o tratamento de primeira linha dos hemangiomas da infância, tendo praticamente substituído os corticosteroides sistémicos.
Posologia e modo de administração
A dose de propranolol varia amplamente consoante a indicação e deve ser individualizada:
- Hipertensão: início com 40 mg duas vezes por dia; dose de manutenção habitual 120-240 mg por dia em doses divididas.
- Angina de peito: 40-80 mg duas a três vezes por dia.
- Arritmias cardíacas: 10-30 mg três a quatro vezes por dia (dose ajustada pela resposta clínica e frequência cardíaca).
- Profilaxia da enxaqueca: 40 mg duas vezes por dia; pode aumentar até 160-240 mg por dia.
- Tremor essencial: início com 40 mg duas vezes por dia; dose habitual 120-240 mg por dia.
- Ansiedade situacional: 40 mg de comprimido simples, 1 hora antes da situação prevista; máximo 40 mg por dose.
- Hipertiroidismo: 40 mg três a quatro vezes por dia.
- Hemangioma infantil: 1-3 mg/kg/dia em duas doses, com monitorização cuidadosa.
O propranolol deve ser tomado com ou imediatamente após as refeições para melhorar a biodisponibilidade (os alimentos aumentam a absorção).
Os comprimidos de libertação prolongada devem ser tomados uma vez por dia, de preferência pela manhã.
Nunca parar o propranolol de forma abrupta em doentes com doença coronária, o efeito de rebote pode precipitar angina instável ou enfarte do miocárdio.
Contraindicações
- Asma brônquica ou doença pulmonar obstrutiva crónica (DPOC) significativa, contraindicação absoluta de bloqueadores beta não seletivos
- Bloqueio auriculoventricular de segundo ou terceiro grau
- Bradicardia sinusal (frequência cardíaca inferior a 45-50 bpm)
- Síndrome do nódulo sinusal doente
- Insuficiência cardíaca descompensada não tratada
- Hipotensão
- Fenómeno de Raynaud grave ou doença arterial periférica grave
- Feocromocitoma não tratado com bloqueador alfa
- Acidose metabólica grave
- Hipersensibilidade ao propranolol ou a qualquer excipiente
Efeitos secundários
Os efeitos secundários do propranolol refletem o seu bloqueio farmacológico sistémico dos recetores beta:
- Bradicardia e hipotensão: extensão do efeito terapêutico; requer monitorização da frequência cardíaca e pressão arterial.
- Broncoespasmo: o mais perigoso em doentes com asma ou DPOC; pode ser fatal.
- Extremidades frias: vasoconstrição periférica por bloqueio dos recetores beta-2 vasculares.
- Fadiga e fraqueza muscular.
- Perturbações do sono: insónia, pesadelos vívidos, relacionados com a penetração no SNC.
- Disfunção erétil: efeito relativamente frequente nos homens; pode ser fator de não adesão ao tratamento.
- Mascaramento da hipoglicemia: em diabéticos sob insulina ou sulfonilureias, o propranolol pode mascarar a taquicardia como sintoma de hipoglicemia; a sudação persiste.
- Depressão: o propranolol tem sido associado a sintomas depressivos, embora a evidência seja controversa.
- Hipertrigliceridemia e redução do HDL-colesterol.
Interações medicamentosas
- Verapamil e diltiazem (bloqueadores dos canais de cálcio não dihidropiridínicos): combinação perigosa com risco de bloqueio AV completo, bradicardia grave e hipotensão. Evitar a combinação intravenosa; monitorizar atentamente a combinação oral.
- Antidiabéticos (insulina, sulfonilureias): o propranolol pode mascarar e prolongar a hipoglicemia.
- AINE (ibuprofeno, naproxeno): podem atenuar o efeito anti-hipertensor do propranolol.
- Antidepressivos tricíclicos: potenciação dos efeitos cardíacos.
- Clonidina: risco de hipertensão de rebote grave na suspensão da clonidina; não descontinuar a clonidina antes do beta-bloqueador.
- Lidocaína: o propranolol reduz a clearance hepática da lidocaína, aumentando o risco de toxicidade.
- Rifampicina, barbitúricos: indutores enzimáticos que reduzem os níveis plasmáticos de propranolol.
- Hidralazina, cimetidina: aumentam os níveis de propranolol.
Populações especiais
Gravidez
O propranolol atravessa a barreira placentária. O seu uso na gravidez está associado a bradicardia neonatal, hipoglicemia neonatal, restrição do crescimento intrauterino e depressão respiratória ao nascimento.
Deve ser utilizado apenas quando estritamente necessário e sob vigilância obstétrica cuidadosa. O labetalol é frequentemente preferido para hipertensão na gravidez em Portugal.
Aleitamento
O propranolol é excretado no leite materno em quantidades reduzidas. Embora geralmente considerado compatível com o aleitamento, a monitorização do lactente para bradicardia e hipoglicemia é prudente.
Idosos
Os idosos têm maior sensibilidade aos efeitos hemodinâmicos do propranolol (hipotensão ortostática, bradicardia). A depuração hepática está frequentemente reduzida. Iniciar com doses baixas (10-20 mg) e titular lentamente. Monitorizar função renal e hepática.
Crianças
O propranolol é utilizado em crianças para hemangiomas, arritmias e hipertensão. A dose é calculada em mg/kg e requer monitorização rigorosa da glicemia, especialmente em lactentes.
Diabéticos
Usar com precaução. O propranolol pode mascarar sintomas de hipoglicemia (exceto a sudação) e prolongar a duração do episódio hipoglicémico. Em diabéticos tratados com insulina, os bloqueadores beta cardiosseletivos (bisoprolol, atenolol) são geralmente preferidos.
Monitorização médica
- Frequência cardíaca e pressão arterial antes de iniciar e regularmente durante o tratamento
- Função pulmonar (espirometria) em doentes com suspeita de DPOC ou asma, antes de prescrever
- Glicemia em diabéticos insulinotratados
- Lipidograma em tratamentos prolongados
- Função hepática e renal em idosos e doentes com patologia prévia
- ECG para avaliar intervalo PR e frequência cardíaca em doentes com arritmias
Suspensão do tratamento
A suspensão abrupta do propranolol em doentes com doença coronária é potencialmente perigosa.
A interrupção súbita pode precipitar angina instável, enfarte do miocárdio e morte súbita de causa cardíaca.
A dose deve ser reduzida gradualmente ao longo de 1 a 2 semanas, com monitorização clínica. Nunca parar abruptamente em doentes com cardiopatia isquémica documentada.
Armazenamento
Armazenar o propranolol abaixo de 25 graus Celsius, ao abrigo da luz e da humidade. Manter na embalagem original. Verificar o prazo de validade. Manter fora do alcance e da vista de crianças.
Alternativas terapêuticas
- Para hipertensão e angina (bloqueadores beta cardiosseletivos): Bisoprolol, atenolol, metoprolol, menor risco de broncoespasmo.
- Para profilaxia da enxaqueca: topiramato, amitriptilina, valproato, candesartan, alternativas se o propranolol não for tolerado.
- Para tremor essencial: primidona, eficácia comparável ao propranolol como alternativa ou adjuvante.
- Para ansiedade situacional: benzodiazepinas de ação curta (com maior risco de dependência), ISRS/IRSN (para ansiedade crónica), técnicas de relaxamento.
Perguntas frequentes
Posso tomar propranolol para a ansiedade de exames ou apresentações?
Sim, o propranolol em dose única de 40 mg é frequentemente utilizado para controlar os sintomas somáticos da ansiedade situacional (palpitações, tremor das mãos, sudação).
Deve ser tomado 1 hora antes da situação stressante. Requer avaliação médica prévia para excluir contraindicações, nomeadamente asma e bradicardia.
Posso beber álcool com propranolol? O álcool pode potenciar o efeito hipotensor do propranolol, aumentando o risco de hipotensão e tonturas. O consumo de álcool deve ser limitado durante o tratamento.
Referências e fontes
- INFARMED, Resumo das Características do Medicamento Propranolol: www.infarmed.pt
- Direção-Geral da Saúde, Normas de tratamento da hipertensão arterial: www.dgs.pt
- SNS 24: 808 24 24 24 | www.sns24.pt
- 2023 ESH Guidelines for the management of arterial hypertension. J Hypertens. 2023.
- 2023 ESC Guidelines for the management of acute coronary syndromes.
- Schimd B, Ignatova-Ivanova K. Propranolol for infantile hemangioma: review of pharmacological aspects. Pediatr Dermatol. 2023.
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