Levemir

Levemir (insulina detemir) é uma insulina basal de acção prolongada utilizada no tratamento da diabetes mellitus tipo 1 e tipo 2 em adultos e crianças.

Administrada por injecção subcutânea, proporciona controlo glicémico estável durante 24 horas.

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O que é o Levemir?

Levemir é um medicamento antidiabético que contém insulina detemir como substância activa.

Trata-se de uma insulina basal de acção prolongada, produzida por tecnologia de ADN recombinante em Saccharomyces cerevisiae (levedura) e quimicamente modificada para prolongar a sua duração de acção.

O Levemir está autorizado pelo INFARMED para o tratamento da diabetes mellitus em adultos e crianças a partir dos 2 anos de idade.

A insulina detemir distingue-se das insulinas basais mais antigas pela sua farmacocinética mais previsível e pelo seu perfil de acção mais plano, características que se traduzem numa menor variabilidade glicémica e num menor risco de hipoglicemia nocturna em comparação com a insulina NPH.

Esta previsibilidade é particularmente valorizada na gestão da diabetes tipo 1 e nos doentes com diabetes tipo 2 que necessitam de insulinização basal.

Em Portugal, o Levemir faz parte da lista de medicamentos comparticipados pelo Serviço Nacional de Saúde (SNS), facilitando o acesso dos doentes diabéticos a este tratamento.

A diabetes mellitus afecta aproximadamente 13% da população adulta portuguesa, constituindo um importante problema de saúde pública, e o tratamento adequado com insulina é determinante para prevenir as complicações crónicas da doença.

Mecanismo de acção do Levemir

A insulina detemir é uma análoga da insulina humana modificada por acilação com um ácido gordo de cadeia longa (ácido mirístico) na posição LysB29. Esta modificação confere à molécula propriedades farmacocinéticas únicas:

Após injecção subcutânea, a insulina detemir forma hexâmeros que se dissociam lentamente em moléculas diméricas e monoméricas, prolongando a absorção subcutânea.

Para além disso, a cadeia acil liga-se reversivelmente à albumina sérica após entrada na circulação, criando um reservatório circulante que liberta gradualmente a insulina activa livre ao longo de 16 a 24 horas.

A insulina detemir livre liga-se ao receptor de insulina, activando as vias de sinalização intracelular mediadas pelo substrato do receptor de insulina (IRS-1/IRS-2), que conduzem à captação celular de glicose (principalmente pelo tecido muscular e adiposo), à supressão da produção hepática de glicose e à inibição da lipólise.

Este mecanismo é idêntico ao da insulina humana endógena, mas a duração de acção é significativamente prolongada pela modificação molecular acima descrita.

Indicações terapêuticas do Levemir

O Levemir está indicado para o tratamento da diabetes mellitus nos seguintes contextos:

  • Diabetes mellitus tipo 1: em adultos, adolescentes e crianças com 2 anos ou mais, em regime de insulinoterapia basal-bólus (Levemir como insulina basal + insulina de acção rápida às refeições)
  • Diabetes mellitus tipo 2: em adultos que necessitam de insulina basal para complementar a terapêutica oral antidiabética ou em regime de insulinoterapia intensificada
  • Diabetes gestacional: como alternativa à insulina NPH quando clinicamente indicado, sob supervisão especializada

A decisão de iniciar insulinoterapia basal com Levemir deve ser tomada pelo médico diabetologista ou endocrinologista, em colaboração com o médico de família, com base nos alvos glicémicos individuais, no perfil de actividade e nas preferências do doente.

Posologia e modo de administração do Levemir

O Levemir é administrado exclusivamente por via subcutânea, nunca por via intravenosa ou intramuscular. A dose deve ser ajustada individualmente com base na monitorização da glicemia capilar (ou glicemia intersticial por sensor contínuo) e na resposta clínica de cada doente.

Diabetes tipo 1

Geralmente administrado 1 ou 2 vezes por dia. Quando em esquema de 1 injecção diária, administrar ao deitar. Quando em esquema de 2 injecções diárias, a segunda injecção deve ser feita ao deitar ou 12 horas após a primeira.

Diabetes tipo 2

A dose inicial habitual em doentes insulina-naive é de 10 UI (ou 0,1-0,2 UI/kg) ao deitar ou uma vez por dia.

A dose deve ser ajustada com base nos valores de glicemia em jejum, visando atingir um alvo individualizado (habitualmente 4,0-7,0 mmol/L ou 72-126 mg/dL conforme definido pelo médico).

Técnica de injecção

  1. Utilizar o Levemir com a caneta de insulina (FlexPen ou FlexTouch) prescrita pelo médico ou farmacêutico
  2. Verificar o aspecto da solução: deve ser límpida, incolor e sem partículas visíveis (o Levemir não é uma suspensão e não deve ser agitado)
  3. Rodar os locais de injecção dentro da mesma região (abdómen, coxa anterior ou braço) para evitar lipodistrofia
  4. Pinçar suavemente a pele antes de injectar, especialmente em doentes magros
  5. Injectar lentamente e aguardar 10 segundos antes de retirar a agulha
  6. Não massar o local de injecção após a administração
  7. Trocar sempre a agulha após cada injecção

Transição de outras insulinas basais

A transição da insulina NPH para o Levemir deve ser feita sob supervisão médica, habitualmente numa proporção de dose unidade-por-unidade, com vigilância mais frequente da glicemia nas primeiras semanas.

Contraindicações do Levemir

  • Hipersensibilidade à insulina detemir ou a qualquer excipiente do Levemir
  • Hipoglicemia activa (a injecção deve ser adiada até à resolução da hipoglicemia)
  • Administração por via intravenosa ou intramuscular (risco de hipoglicemia grave)

O Levemir deve ser utilizado com precaução em situações de doença intercorrente febril, intervenção cirúrgica, insuficiência renal ou hepática, e após alterações significativas no regime alimentar ou na actividade física, pois estas situações podem alterar as necessidades de insulina.

Efeitos secundários do Levemir

Hipoglicemia, o efeito secundário mais importante

A hipoglicemia é o efeito adverso mais frequente e clinicamente mais relevante do tratamento com insulina. Os sintomas de hipoglicemia incluem:

  • Ligeira a moderada: tremores, palpitações, suores, palidez, fome intensa, cefaleias, dificuldade de concentração, alterações visuais
  • Grave: convulsões, perda de consciência, contactar o 112 imediatamente

Perante hipoglicemia ligeira a moderada, consumir imediatamente 15-20 g de hidratos de carbono de absorção rápida (ex: 150 mL de sumo de laranja, 3-4 comprimidos de glucose). Em caso de hipoglicemia grave ou perda de consciência, contactar o 112 imediatamente.

Outros efeitos secundários frequentes

  • Reacções no local de injecção: lipodistrofia (lipohipertrofia ou lipoatrofia), eritema, prurido, edema local
  • Edema periférico transitório no início do tratamento
  • Aumento de peso (menos marcado com insulina detemir do que com insulinas NPH)
  • Reacções alérgicas (raras): urticária, angioedema, reacção anafiláctica

Em caso de reacção alérgica grave, contacte o SNS 24 (808 24 24 24) ou o 112 imediatamente.

Interacções medicamentosas do Levemir

Medicamentos que aumentam o efeito hipoglicemiante (risco de hipoglicemia aumentado)

  • Antidiabéticos orais (sulfonilureias, glinidas, inibidores das DPP-4, agonistas do GLP-1)
  • Inibidores da ECA (captopril, enalapril, ramipril)
  • Fibratos e salicilatos em doses elevadas
  • Inibidores da MAO
  • Álcool (pode mascarar os sintomas de hipoglicemia)

Medicamentos que reduzem o efeito hipoglicemiante (risco de hiperglicemia aumentado)

  • Corticosteroides sistémicos
  • Tiazidas e diuréticos de ansa em doses elevadas
  • Contraceptivos orais e THS com estrogénios
  • Hormona de crescimento
  • Glucagon
  • Antipsicóticos atípicos (olanzapina, clozapina)

Medicamentos que podem mascarar os sintomas de hipoglicemia

  • Beta-bloqueantes (atenolol, metoprolol, bisoprolol), podem mascarar taquicardia e tremores; os suores permanecem
  • Clonidina

Populações especiais

Gravidez

A diabetes gestacional e a diabetes preexistente na gravidez requerem um controlo glicémico rigoroso para reduzir o risco de malformações fetais e complicações obstétricas.

A insulina humana é o tratamento de primeira linha na gravidez.

O Levemir pode ser utilizado na gravidez quando clinicamente necessário, mas a insulina NPH humana permanece a opção preferencial segundo as directrizes portuguesas.

A decisão deve ser sempre tomada pelo obstetra em colaboração com o diabetologista.

Aleitamento

A insulina detemir pode ser utilizada durante o aleitamento. A insulina não é absorvida por via oral pelo lactente, pelo que não representa risco para o recém-nascido.

As necessidades de insulina podem estar reduzidas durante o aleitamento, pelo que a monitorização glicémica deve ser mais frequente.

Crianças (a partir dos 2 anos)

O Levemir está autorizado em crianças a partir dos 2 anos. A dose deve ser ajustada com base no peso e nas necessidades individuais de cada criança, sob supervisão de pediatra com experiência em diabetes pediátrica.

Idosos

Os idosos têm maior risco de hipoglicemia, especialmente aqueles com declínio cognitivo ou que vivem sozinhos. Os alvos glicémicos devem ser menos estritos e a monitorização mais frequente. A dose inicial deve ser conservadora e o ajuste gradual.

Insuficiência renal e hepática

A insuficiência renal e hepática pode reduzir as necessidades de insulina por diminuição do metabolismo periférico da insulina e da neoglucogénese hepática. A monitorização glicémica deve ser intensificada e as doses ajustadas conforme necessário.

Monitorização médica durante o tratamento com Levemir

  • Monitorização regular da glicemia capilar (mínimo 4 vezes/dia em diabetes tipo 1; conforme prescrito em diabetes tipo 2)
  • Hemoglobina glicada (HbA1c) a cada 3 meses até atingir o alvo, depois cada 6 meses
  • Avaliação dos locais de injecção em cada consulta para detecção de lipodistrofia
  • Monitorização da função renal (creatinina, taxa de filtração glomerular) anualmente
  • Rastreio de complicações crónicas da diabetes: oftalmologia anual (retinopatia), neuropatia (exame dos pés), nefropatia (microalbuminúria)
  • Avaliação cardiovascular regular (ECG, perfil lipídico, pressão arterial)
  • Avaliação nutricional e de actividade física

Para apoio na gestão da diabetes, o SNS disponibiliza consultas de nutrição e educação para a diabetes nos centros de saúde. Contacte o SNS 24 pelo 808 24 24 24 para informações sobre os serviços disponíveis.

Armazenamento do Levemir

Levemir não em uso: conservar no frigorífico (2°C a 8°C), protegido do frio (não congelar) e da luz directa.

Levemir em uso: a caneta em uso pode ser conservada à temperatura ambiente (abaixo de 30°C), protegida da luz e do calor, durante um máximo de 42 dias.

Após este prazo, mesmo que a caneta não esteja vazia, deve ser descartada. Não refrigerar a caneta em uso. Manter fora do alcance e da vista das crianças.

Alternativas terapêuticas ao Levemir

Existem outras insulinas basais disponíveis em Portugal para o tratamento da diabetes mellitus:

  • Insulina glargina (Lantus, Abasaglar, Toujeo), insulina basal de acção prolongada, administrada 1 vez/dia
  • Insulina degludeca (Tresiba), insulina basal ultra-longa (mais de 42 horas de acção), administrada 1 vez/dia
  • Insulina NPH (Humulin N, Insulatard), insulina basal intermédia, opção mais económica mas com maior variabilidade
  • Combinações fixas de insulina basal + GLP-1 (IDegLira/Xultophy), em doentes com diabetes tipo 2

A escolha entre estas alternativas depende do tipo de diabetes, dos objectivos glicémicos, do estilo de vida do doente e de considerações económicas. Consulte o seu médico ou diabetologista para a opção mais adequada ao seu caso.

Referências e fontes

  • INFARMED, Resumo das Características do Medicamento do Levemir: infarmed.pt
  • Direcção-Geral da Saúde, Programa Nacional para a Diabetes: dgs.pt
  • SNS 24, Linha de Saúde: sns24.pt (808 24 24 24)
  • Sociedade Portuguesa de Diabetologia, Recomendações para o Tratamento da Diabetes Mellitus Tipo 2
  • American Diabetes Association (ADA), Standards of Medical Care in Diabetes 2024
  • European Association for the Study of Diabetes (EASD), Clinical Guidelines

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