Doxazosina
A doxazosina é um bloqueador selectivo dos receptores alfa-1 adrenérgicos utilizado em Portugal no tratamento da hipertensão arterial essencial e dos sintomas do tracto urinário inferior associados à hiperplasia benigna da próstata (HBP).
Actua relaxando a musculatura lisa vascular e prostática, reduzindo a pressão arterial e melhorando o fluxo urinário.
Disponível em comprimidos de libertação imediata e de libertação prolongada (Doxazosina XL).
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O que é a Doxazosina
A doxazosina é um antagonista selectivo e de longa acção dos receptores alfa-1 adrenérgicos, pertencente à classe das quinazolinas.
Em Portugal, está aprovada pelo INFARMED para duas indicações principais: o tratamento da hipertensão arterial essencial e o tratamento sintomático da hiperplasia benigna da próstata (HBP), podendo ser usada isoladamente ou em combinação com outros anti-hipertensores.
A doxazosina está disponível em comprimidos de libertação imediata (1 mg, 2 mg, 4 mg) e em formulações de libertação prolongada ou controlada (Cardura XL, Doxazosina XL, 4 mg e 8 mg), que reduzem as flutuações plasmáticas e minimizam o risco de hipotensão ortostática.
A formulação de libertação prolongada utiliza a tecnologia GITS (Gastrointestinal Therapeutic System) para uma libertação mais uniforme ao longo das 24 horas.
A sua capacidade de tratar simultaneamente a hipertensão arterial e a HBP torna a doxazosina particularmente útil em doentes que apresentam ambas as condições, situação comum em homens com mais de 50 anos.
No entanto, em mulheres sem HBP, outros anti-hipertensores costumam ser preferidos como terapia de primeira linha segundo as orientações clínicas da DGS e das sociedades europeias de hipertensão e cardiologia.
Mecanismo de Acção
A doxazosina actua como antagonista competitivo selectivo dos receptores alfa-1 adrenérgicos. Os receptores alfa-1 são proteínas G acopladas que medeiam os efeitos vasoconstritores das catecolaminas (adrenalina e noradrenalina) na musculatura lisa vascular. Ao bloqueá-los, a doxazosina provoca:
- Vasodilatação periférica arteriolar e venosa: redução da resistência vascular periférica total, que é o principal mecanismo de redução da pressão arterial
- Ausência de efeito cronotrópico positivo reflexo significativo: a selectividade para os receptores alfa-1 (sem acção nos receptores alfa-2 pré-sinápticos) resulta em menos taquicardia reflexa do que os bloqueadores alfa não selectivos
Na próstata e no colo vesical, os receptores alfa-1A predominam e medeiam a contracção da musculatura lisa.
Ao bloqueá-los, a doxazosina reduz o tónus muscular prostático e do colo vesical, aliviando os sintomas obstrutivos e irritativos da HBP (hesitação miccional, jacto fraco, nictúria, urgência urinária).
O subtipo alfa-1A é mais abundante na próstata enquanto o alfa-1B predomina nos vasos, o que explica por que fármacos mais selectivos para o alfa-1A (como a tansulosina) têm menos efeito hipotensor mas também menos eficácia anti-hipertensora.
A doxazosina tem também efeitos metabólicos favoráveis, melhorando o perfil lipídico (aumento do colesterol HDL, redução dos triglicerídeos) e a sensibilidade à insulina, vantagens adicionais no doente hipertenso com síndrome metabólico.
Indicações Terapêuticas
- Hipertensão arterial essencial: como monoterapia ou em associação com outros anti-hipertensores (diuréticos, bloqueadores beta, inibidores da ECA, antagonistas dos receptores da angiotensina II, bloqueadores dos canais de cálcio)
- Hiperplasia benigna da próstata (HBP): tratamento sintomático dos sintomas do tracto urinário inferior associados à HBP, incluindo hesitação miccional, jacto urinário fraco, nictúria, urgência urinária e esvaziamento vesical incompleto
Posologia e Modo de Administração
Hipertensão Arterial
Formulação de libertação imediata: iniciar com 1 mg uma vez por dia.
Após 1 a 2 semanas, a dose pode ser aumentada para 2 mg/dia; ajustes subsequentes a intervalos de 1 a 2 semanas, até um máximo de 16 mg/dia em função da resposta.
A maioria dos doentes é controlada com 4 a 8 mg/dia.
Formulação de libertação prolongada (XL): iniciar com 4 mg uma vez por dia ao pequeno-almoço. Ajustar para 8 mg após 4 semanas se necessário. Dose máxima: 8 mg/dia.
Os comprimidos de libertação prolongada devem ser engolidos inteiros, sem mastigar, partir ou esmagar.
Hiperplasia Benigna da Próstata
Iniciar com 1 mg uma vez por dia (formulação libertação imediata).
Aumentar progressivamente para 2 mg, 4 mg e 8 mg em intervalos de 1 a 2 semanas, conforme resposta e tolerabilidade. Dose máxima: 8 mg/dia.
A formulação XL de 4 mg ou 8 mg é uma alternativa cómoda de administração única diária.
Momento de Administração
A doxazosina de libertação imediata deve ser tomada à noite ou ao deitar para minimizar o risco de hipotensão ortostática matinal. A formulação XL deve ser tomada de manhã com o pequeno-almoço.
Primeira dose: é mais provável causar hipotensão ortostática, tomar ao deitar e instruir o doente para se levantar lentamente nas primeiras horas após a dose inicial.
Contraindicações
- Hipersensibilidade à doxazosina, a outras quinazolinas ou a qualquer excipiente
- História de hipotensão ortostática
- Hipotensão arterial activa
- Incontinência urinária por transbordamento ou anúria por obstrução ureteral
- Em monoterapia na HBP em doentes com hipotensão arterial concomitante
- Aleitamento (dados insuficientes)
Precaução especial em doentes que vão ser submetidos a cirurgia de catarata, a doxazosina está associada ao síndrome de íris flácida intraoperatória (IFIS), complicação que deve ser comunicada ao oftalmologista/cirurgião antes da operação.
Efeitos Secundários
Frequentes
- Hipotensão ortostática, especialmente com a primeira dose ou após aumento de dose
- Tonturas, vertigens
- Cefaleias
- Astenia, fadiga
- Edema periférico (especialmente nos tornozelos)
- Sonolência
- Palpitações, taquicardia reflexa
Pouco Frequentes
- Hipotensão arterial sintomática
- Síncope (especialmente com a primeira dose em jejum)
- Rinite
- Náuseas, distúrbios gastrointestinais
- Distúrbios da ejaculação (ejaculação retrógrada ou ausente), mais comum com bloqueadores alfa selectivos alfa-1A
Raros e Graves
- Priapismo (ereção prolongada e dolorosa), urgência médica
- Síndrome de íris flácida intraoperatória (IFIS), com cirurgia de catarata
- Hepatite colestática
Em caso de síncope, priapismo ou reacção alérgica grave, contactar imediatamente o 112 ou SNS 24 (808 24 24 24).
Interacções Medicamentosas
- Outros anti-hipertensores e diuréticos: potenciação do efeito hipotensor; particular cuidado com associação com inibidores da ECA, antagonistas cálcicos ou bloqueadores beta
- Inibidores da PDE-5 (sildenafil, tadalafil, vardenafil): risco significativo de hipotensão grave; esta combinação está contraindicada ou requer cuidado extremo e monitorização; o intervalo entre as tomas deve ser maximizado
- AINEs (ibuprofeno, diclofenac): podem atenuar o efeito anti-hipertensor da doxazosina
- Álcool etílico: potenciação do efeito hipotensor e aumento do risco de síncope
- Anestésicos gerais: possível hipotensão intraoperatória profunda, informar o anestesista
- Antidepressivos tricíclicos: possível antagonismo do efeito hipotensor
Populações Especiais
Gravidez
Dados de segurança insuficientes. Não existem estudos controlados em grávidas. Apenas usar se o benefício potencial justificar o risco fetal. Não é o anti-hipertensor de primeira escolha na gravidez.
Aleitamento
A doxazosina é excretada no leite materno. O aleitamento não é recomendado durante o tratamento com doxazosina.
Crianças e Adolescentes
A segurança e eficácia em menores de 18 anos não estão estabelecidas. Não recomendada nesta faixa etária.
Idosos
Não é necessário ajuste de dose nos idosos. No entanto, o risco de hipotensão ortostática e de quedas é maior.
Iniciar sempre com a dose mínima (1 mg) e aumentar muito gradualmente. Instruir sobre a necessidade de se levantar lentamente da posição sentada ou deitada.
Insuficiência Renal e Hepática
Insuficiência renal: não é necessário ajuste de dose uma vez que a excreção renal é mínima. Insuficiência hepática: usar com precaução na insuficiência hepática moderada; contraindicado na grave.
Monitorização Médica
- Pressão arterial, nas posições supina e ortostática (especialmente no início do tratamento)
- Frequência cardíaca
- Avaliação dos sintomas urinários (score IPSS) na HBP
- PSA (antigénio específico da próstata) para rastreio de adenocarcinoma da próstata antes e durante o tratamento
- Monitorização de sinais de insuficiência hepática em tratamentos prolongados
- Avaliação de quedas e tonturas posturais nos idosos
Armazenamento
Conservar abaixo de 30°C, em local seco ao abrigo da luz e da humidade. Não refrigerar. Manter fora do alcance das crianças. Não usar após a data de validade. Devolver medicamentos não utilizados ao sistema VALORMED das farmácias.
Alternativas Terapêuticas
Para Hipertensão Arterial
- Inibidores da ECA (captopril, enalapril, perindopril), primeira linha em diabéticos e insuficiência cardíaca
- Antagonistas dos receptores da angiotensina II (losartan, candesartan, valsartan), boa tolerabilidade
- Bloqueadores dos canais de cálcio (amlodipina, lercanidipina), especialmente em idosos
- Diuréticos tiazídicos, combinados com os anteriores
- Bloqueadores beta, primeira linha após enfarte e em insuficiência cardíaca
Para HBP
- Tansulosina, bloqueador alfa-1A mais selectivo, menor efeito hipotensor, melhor para HBP isolada
- Silodosina, alta selectividade alfa-1A, mínimo efeito hipotensor
- Finasterida / dutasterida, inibidores da 5-alfa-reductase; reduzem o volume prostático mas demoram 6 meses a actuar
- Combinações fixas (tansulosina + dutasterida = Duodart), para próstatas grandes
Perguntas Frequentes
A doxazosina afecta a função sexual?
A doxazosina pode causar disfunção ejaculatória (ejaculação retrógrada ou ausente) em alguns homens.
Por outro lado, ao melhorar o fluxo urinário e reduzir os sintomas da HBP, pode ter um impacto positivo na qualidade de vida sexual.
Ao contrário dos bloqueadores beta e dos inibidores da 5-alfa-reductase, não está associada a redução da libido ou disfunção eréctil.
Posso tomar Viagra com doxazosina?
Esta combinação é potencialmente perigosa pois ambos os fármacos reduzem a pressão arterial e o efeito conjunto pode causar hipotensão grave, síncope e colapso cardiovascular.
Se precisar de tomar um inibidor da PDE-5, informe sempre o médico da medicação anti-hipertensora que toma. O médico pode ajustar horários e doses com precaução extrema.
A doxazosina aumenta o PSA?
Não. Ao contrário dos inibidores da 5-alfa-reductase (finasterida, dutasterida), a doxazosina não afecta os valores de PSA.
Isso é importante porque o PSA é um marcador de rastreio do cancro da próstata, a interpretação do PSA não é alterada pelo tratamento com bloqueadores alfa.
Qual a diferença entre doxazosina normal e doxazosina XL?
A formulação XL (libertação prolongada) liberta o fármaco de forma mais lenta e uniforme, resultando em menores picos de concentração plasmática.
Isso traduz-se em menor incidência de hipotensão ortostática e tonturas, especialmente no início do tratamento.
A formulação XL é tomada de manhã, enquanto a normal pode ser tomada à noite para minimizar a hipotensão matinal.
Referências e Fontes
- INFARMED, RCM da Doxazosina e Cardura XL: www.infarmed.pt
- DGS, Normas de orientação sobre hipertensão arterial e HBP
- SNS 24: 808 24 24 24
- European Society of Hypertension / European Society of Cardiology, Guidelines 2023
- European Association of Urology (EAU), Guidelines on Non-neurogenic Male LUTS
- Sociedade Portuguesa de Hipertensão
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