Fucidine

Fucidine é um antibiótico tópico contendo ácido fusídico, indicado para o tratamento de infecções bacterianas da pele causadas por Staphylococcus aureus e outros organismos sensíveis, disponível em Portugal como creme, pomada e penso impregnado.

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Fucidine (ácido fusídico), Guia Clínico Completo

Fucidine é um antibiótico de uso tópico contendo ácido fusídico como substância activa, desenvolvido pela LEO Pharma e amplamente utilizado em Portugal para o tratamento de infecções bacterianas da pele.

O ácido fusídico pertence a uma classe de antibióticos única, os fusidanos, com um mecanismo de acção distinto dos antibióticos beta-lactâmicos, macrólidos ou fluoroquinolonas, o que lhe confere actividade específica contra staphylococos, incluindo algumas estirpes resistentes à meticilina (MRSA) em contexto de uso tópico.

Na minha prática de clínica geral, o Fucidine é frequentemente a primeira escolha para o impétigo bacteriano, folliculite superficial e infecções secundárias de dermatoses crónicas como o eczema.

A sua capacidade de penetração na pele lesada, associada a um perfil de segurança excelente em aplicação local, torna-o particularmente adequado para uso em crianças e idosos.

No entanto, a crescente resistência ao ácido fusídico em Staphylococcus aureus, particularmente com uso prolongado ou repetido, é uma preocupação clínica real que influencia as minhas decisões de prescrição.

O Infarmed autoriza o Fucidine em Portugal nas seguintes apresentações: Fucidine 2% creme (tubo 15g e 30g), Fucidine 2% pomada (tubo 15g e 30g), e Fucidine 2% pensos impregnados para feridas.

A formulação em creme é preferível para pele úmida ou exsudativa, enquanto a pomada é mais adequada para pele seca ou hiperqueratósica.

1. O que é o Fucidine

O ácido fusídico é um antibiótico de origem natural, isolado a partir do fungo Fusidium coccineum, com estrutura química triterpénica similar ao lanosterol.

Esta estrutura é responsável pela sua capacidade de penetrar eficazmente nas camadas da pele, atingindo concentrações bactericidas nos tecidos dérmicos e subdérmicos mesmo em pele intacta.

O espectro de actividade do ácido fusídico é predominantemente bacteriostático em concentrações baixas e bactericida em concentrações elevadas. A sua actividade é dirigida principalmente contra gram-positivos, com especial eficácia contra:

  • Staphylococcus aureus (incluindo estirpes produtoras de penicilinase): principal alvo clínico
  • Streptococcus pyogenes: actividade moderada
  • Corynebacterium minutissimum: actividade relevante na eritrasma
  • Clostridium perfringens: actividade em anaerobes gram-positivos

É importante notar que o ácido fusídico tem actividade limitada contra gram-negativos e é inactivo contra Pseudomonas aeruginosa, o que limita a sua utilidade em infecções polimicrobianas complexas ou infecções de feridas crónicas com suspeita de contaminação por gram-negativos.

2. Mecanismo de acção

O ácido fusídico actua através de um mecanismo único e específico: inibe a síntese proteica bacteriana ao bloquear a translocação do factor de elongação G (EF-G) durante a síntese peptídica ribossomal.

Especificamente, o ácido fusídico estabiliza o complexo ribossoma-EF-G-GDP, impedindo a dissociação do EF-G após a hidrólise do GTP, o que bloqueia o avanço do ribossoma ao longo do mRNA e paralisa a síntese proteica.

Este mecanismo é completamente distinto de todos os outros antibióticos de uso comum (beta-lactâmicos, macrólidos, quinolonas, aminoglicosídeos), o que explica a ausência de resistência cruzada com estes agentes.

Um Staphylococcus aureus resistente à meticilina (MRSA) pode ser totalmente sensível ao ácido fusídico, o que tem relevância clínica importante em contextos de uso tópico.

A resistência ao ácido fusídico no Staphylococcus aureus ocorre principalmente por mutações no gene fusA (que codifica o EF-G), aquisição plasmídica do gene fusB (que codifica uma proteína de protecção ribossomal), ou por hiperexpressão de bombas de efluxo.

A resistência emerge mais facilmente com monoterapia oral do que com uso tópico de curta duração.

3. Indicações terapêuticas

De acordo com o Resumo das Características do Medicamento aprovado pelo Infarmed, o Fucidine tópico está indicado para:

  • Impétigo bacteriano primário: Infecção superficial da pele causada por S. aureus ou S. pyogenes, especialmente em crianças. O Fucidine é frequentemente a primeira escolha antes de antibioterapia sistémica
  • Impétigo secundário (infecção de eczema ou outras dermatoses): Sobreinfeção bacteriana em dermatoses inflamatórias crónicas como eczema atópico, psoríase ou dermatite seborreica
  • Folliculite superficial: Inflamação bacteriana dos folículos pilosos de pequena extensão
  • Furunculose localizada: Lesões individuais ou em pequeno número, sem sinais de infecção sistémica
  • Infecções de pequenas feridas, cortes e abrasões: Prevenção e tratamento de sobreinfeção bacteriana de feridas superficiais
  • Eritrasma: Infecção bacteriana causada por Corynebacterium minutissimum, que se manifesta como manchas castanho-avermelhadas nas pregas cutâneas

O Fucidine não está indicado para infecções profundas da pele (celulite, fasceíte necrosante), infecções do tecido adiposo, infecções com envolvimento sistémico (febre, linfadenopatia regional) ou em feridas com exposição óssea ou tendinosa.

Nestas situações, é necessária antibioterapia sistémica e avaliação urgente.

4. Posologia e modo de administração

O Fucidine tópico deve ser aplicado da seguinte forma:

  • Adultos e crianças com mais de 2 anos: Aplicar uma camada fina de creme ou pomada na área afectada 3 vezes por dia, durante 7 dias
  • Duração máxima recomendada: 7 dias. O tratamento não deve ultrapassar 10 dias para minimizar o risco de resistência
  • Área de aplicação: Cobrir apenas a área afectada, evitando alargamento desnecessário da zona de aplicação

Técnica de aplicação:

  1. Lavar cuidadosamente as mãos antes e depois da aplicação
  2. Limpar suavemente a área afectada com soro fisiológico ou água e sabão neutro; secar gentilmente
  3. Aplicar uma camada fina do produto, suficiente para cobrir a lesão
  4. Em lesões com crostas ou descamação excessiva, pode cobrir-se com penso esterilizado; evitar pensos oclusivos impermeáveis que aumentam a absorção sistémica
  5. Lavar as mãos após a aplicação

Penso impregnado (Fucidine tulle): Para feridas cirúrgicas ou traumáticas. Substituir o penso a cada 2-3 dias conforme o grau de exsudação. Não usar por mais de 2 semanas consecutivas.

Reaplicação após lavagem: Se a área for lavada antes do prazo, reaplicar o produto. Não é necessário reaplicar em cada lavagem de mãos em lesões das extremidades.

5. Contraindicações

  • Hipersensibilidade ao ácido fusídico, ao butirato de sódio ou a qualquer excipiente da formulação
  • Aplicação em mucosas: Não utilizar em mucosa oral, conjuntival ou genital interna
  • Aplicação ocular directa: O Fucidine tópico dérmico não deve ser aplicado nos olhos (existe uma formulação oftálmica específica, Fucithalmic)
  • Feridas profundas com exposição óssea ou tendinosa: Requerem tratamento diferenciado
  • Crianças com menos de 2 anos: Uso apenas sob supervisão médica directa, dada a maior permeabilidade cutânea nesta faixa etária

6. Efeitos secundários

O Fucidine tópico é geralmente bem tolerado. Os efeitos secundários são na sua maioria locais e transitórios:

Comuns (1 em 10 a 1 em 100):

  • Eritema local (vermelhidão) no local de aplicação
  • Sensação de queimadura ou ardor transitório após aplicação
  • Prurido (comichão) no local de aplicação
  • Eczema de contacto alérgico ao ácido fusídico (raro mas pode emergir com uso repetido)

Raros mas clinicamente importantes:

  • Dermatite de contacto alérgica: hipersensibilidade adquirida que se manifesta como agravamento progressivo em vez de melhoria. Requer interrupção e teste de alergologia
  • Foliculite química em uso prolongado em áreas de pele saudável circundante
  • Em áreas extensas ou sob penso oclusivo: absorção sistémica com potencial efeito hepático (icterícia colestática), extremamente raro com uso tópico normal

Desenvolvimento de resistência: Não é um efeito secundário directo mas é uma consequência do uso inapropriado, uso por mais de 7-10 dias, aplicação intermitente recorrente, ou sub-dosagem aumentam significativamente o risco de emergência de estirpes resistentes de S. aureus.

Se notar agravamento da infecção, expansão das lesões, febre, aparecimento de gânglios inflamados, ou se não houver melhoria após 2-3 dias de tratamento, contacte o SNS 24 (808 24 24 24) ou o seu médico.

7. Interacções medicamentosas

Dado o seu uso predominantemente tópico, o potencial de interacções sistémicas do Fucidine dermatológico é muito limitado. No entanto, existem alguns aspectos relevantes:

  • Sinergismo com outros antibióticos tópicos: Não há base para combinar Fucidine com outros antibióticos tópicos na mesma área de tratamento, a monoterapia é preferível para minimizar irritação e resistência
  • Corticosteroides tópicos: Existe uma formulação combinada (Fucibet) que associa ácido fusídico com betametasona para situações de dermatose inflamada e sobreinfeita. No entanto, o uso desta combinação deve ser limitado em duração dado o risco de resistência ao ácido fusídico
  • Anticoagulantes cumarínicos (uso oral sistémico): O ácido fusídico sistémico (oral ou IV) pode potenciar o efeito anticoagulante da varfarina. No uso tópico normal, este risco é negligenciável

8. Populações especiais

Crianças: O Fucidine pode ser usado em crianças com mais de 2 anos com as mesmas indicações e na mesma posologia que adultos.

Em crianças mais pequenas (incluindo recém-nascidos), a pele tem maior permeabilidade cutânea, pelo que o uso tópico deve ser mais restrito em área e duração, e apenas sob supervisão médica.

O impétigo é particularmente prevalente em idade escolar (5-15 anos) e o Fucidine é uma opção de primeira linha nesta faixa etária.

Idosos: Não há restrições específicas em idosos para uso tópico dermatológico. No entanto, a pele mais frágil e atrófica dos idosos pode apresentar maior absorção percutânea, pelo que se deve evitar aplicação em áreas extensas ou com oclusão.

Gravidez: Dados de segurança em humanos são limitados para o ácido fusídico tópico durante a gravidez. Estudos em animais não revelaram efeitos teratogénicos.

Na minha prática, prefiro restringir o uso a áreas pequenas e por curtos períodos durante a gravidez, evitando especialmente o uso no primeiro trimestre e em áreas extensas.

Alternativas como mupirocina podem ser consideradas para impétigo em grávidas.

Aleitamento: Não existem dados sobre excreção no leite materno para o Fucidine tópico. Dado o uso localizado e absorção sistémica mínima, o risco para o lactente é provavelmente baixo. Evitar aplicação nas mamas durante o aleitamento.

Insuficiência hepática: Relevante principalmente para o ácido fusídico sistémico. Para uso tópico em área limitada, a insuficiência hepática não é contraindicação, mas deve-se monitorizar em uso em áreas extensas.

9. Monitorização médica

Para uso tópico de curta duração (7 dias), a monitorização formal não é necessária na maioria dos casos. No entanto, recomendo:

  • Reavaliação clínica se não houver melhoria objectiva após 3-5 dias de tratamento adequado
  • Cultura bacteriológica (zaragatoa) antes de iniciar antibiótico se houver suspeita de MRSA comunitário, especialmente em doentes que coabitam com profissionais de saúde ou que foram hospitalizados recentemente
  • Teste de sensibilidade (TSA) em casos de falência terapêutica ao Fucidine
  • Avaliação dermatológica se houver suspeita de eczema de contacto ao ácido fusídico (testes epicutâneos)
  • Em doentes com infecções recorrentes de pele a S. aureus: rastreio de portador nasal (cultura de zaragatoa nasal) e descolonização se positivo

10. Armazenamento

Fucidine creme e pomada devem ser armazenados a temperatura inferior a 25°C. Não refrigerar nem congelar. Manter o tubo bem fechado após cada uso.

Não utilizar após o prazo de validade indicado na embalagem. Uma vez aberto, o tubo deve ser usado dentro de 6 meses. Manter fora do alcance de crianças.

Não deitar medicamentos na sanita, devolver à farmácia para eliminação correcta.

11. Perguntas frequentes

O Fucidine serve para todas as infecções da pele? Não. O Fucidine é eficaz principalmente para infecções superficiais da pele causadas por bactérias gram-positivas, especialmente Staphylococcus aureus.

Para infecções profundas (celulite, fasceíte), infecções por gram-negativos ou infecções fúngicas, são necessários outros tratamentos. Se tiver dúvidas sobre o tipo de infecção, consulte o seu médico.

Posso usar o Fucidine nos olhos? O Fucidine creme ou pomada dermatológicos não devem ser aplicados directamente nos olhos.

Para infecções oculares, existe uma formulação específica, Fucithalmic gel oftálmico, que é diferente do produto dermatológico e deve ser usada apenas sob orientação médica.

Por que não devo usar mais de 7 dias? O uso prolongado de Fucidine aumenta significativamente o risco de emergência de bactérias resistentes ao ácido fusídico.

Em Portugal, tem-se verificado um aumento preocupante da resistência ao ácido fusídico em S.

aureus nas últimas décadas, em parte atribuível ao uso inapropriado e prolongado de antibióticos tópicos.

O meu filho tem impétigo. Posso usar Fucidine? Sim, o Fucidine pode ser usado em crianças com mais de 2 anos para impétigo.

No entanto, recomendo consultar o médico de família ou pediatra antes de iniciar, pois casos extensos de impétigo, impétigo com febre, ou impétigo que não melhora rapidamente podem requerer antibioterapia oral.

Além disso, o impétigo é contagioso, a criança não deve frequentar a escola até 24-48 horas após início do tratamento.

Posso combinar Fucidine com creme de corticoide? Não deve misturar os dois produtos nem aplicá-los em simultâneo na mesma área.

Se precisar de antibiótico e corticoide para uma dermatose inflamada sobreinfeita, existe a formulação específica Fucibet (ácido fusídico + betametasona) que pode ser prescrita pelo médico para uso de curta duração.

12. Alternativas terapêuticas

Quando o Fucidine não é adequado ou quando há resistência documentada, as alternativas incluem:

  • Mupirocina (Bactroban 2% pomada): Antibiótico tópico com mecanismo de acção diferente (inibição da isoleucil-tRNA sintetase), activo contra S. aureus incluindo MRSA. Considerado por muitos guidelines como primeira linha para impétigo
  • Retapamulina (Altargo 1% pomada): Antibiótico tópico da classe das pleuromutilinas, com indicação para impétigo em crianças
  • Antibioterapia sistémica: Flucloxacilina oral (500 mg 4x/dia, 7 dias) para infecções cutâneas mais extensas ou com envolvimento sistémico; amoxicilina/ácido clavulânico como alternativa
  • Antissépticos tópicos: Permanganato de potássio (banhos de amolecimento para impétigo bolhoso extenso) ou octenidina (Octenisept) para feridas sobreinfeitas
  • Clindamicina tópica: Para casos com suspeita de MRSA comunitário quando a mupirocina não está disponível

13. Referências e fontes

  • Infarmed, Resumo das Características do Medicamento: Fucidine 2% creme e pomada. Disponível em: infarmed.pt
  • Direcção-Geral da Saúde (DGS), Orientações para a Antibioterapia Empírica nas Infecções da Pele e Tecidos Moles em Ambulatório: dgs.pt
  • Serviço Nacional de Saúde, Linha SNS 24: 808 24 24 24, disponível 24 horas para orientação clínica
  • European Medicines Agency (EMA), Guideline on the evaluation of medicinal products indicated for treatment of bacterial infections
  • Sociedade Portuguesa de Dermatologia e Venereologia, Recomendações para o Tratamento das Infecções Bacterianas da Pele
  • British National Formulary (BNF), Topical antibacterials section, consultado via BNF online

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